top of page

Alguns romances pelo caminho

  • Foto do escritor: Kinaya Black
    Kinaya Black
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Hoje eu vi uma peça de crochê inacabada jogada no lixo. Estava no terreno onde todos os moradores da rua descartam seu lixo. Aquela peça redonda, rosa escuro, me chamou atenção enquanto eu passeava com um dos meus cachorros.


Junto a ela ainda estava o cordão da linha. Era até grande e estava ali como um cordão umbilical. Por um tempo, aquela linha ligou a peça ao novelo antes de ser cortada e ir parar no chão, ali onde todos jogam fora o que não lhes serve mais.


Estava começando? Sabia fazer outros pontos? Abandonou de vez? Ou somente aquela peça não deu em nada? Há quanto tempo aquela peça estava guardada ou esquecida em algum lugar da casa? Quantas vezes foi abandonada antes do descarte?


Os pontos pareciam tão firmes. Aquela linha não era qualquer uma, é cara, grossa, resistente. Eu sei porque também tenho linha em casa. Diferentes linhas, para diferentes peças, diferentes objetivos. Eu também tenho peças que nunca finalizei. Há seis, quatro, dois anos, elas aguardam o toque dos meus dedos para tornarem-se completas. Mas de algumas eu já desisti. Outras, vi que não precisavam de mais nada. Não precisavam ser finalizadas para serem bonitas.


Mas, com certeza,

nada disso é como escrever um livro.

Ou é?


Gosto de manter minhas mãos ocupadas, em qualquer coisa. Quando não consigo mais escrever palavras, sigo para a escrita das coisas: bordado, crochê, cerâmica. E agora, no meu aniversário de 30 anos, ganhei uma Makita. Só então descobri seu nome: serra mármore. Ela não foi feita para o que eu estava planejando fazer com ela, mas farei uma adaptação para cortar madeira, pois gosto de manter minhas mãos ocupadas. Porém, terei muito cuidado, pois homens me falaram que posso ficar sem os dedos. Hoje, quase uma semana depois, estou mais segura de testar meu presente. Mas não posso começar um novo hobby agora. Preciso encontrar palavras. Palavras suficientes para formar um corpo.


De todas as coisas que gosto de fazer,

escrever é a única que não abandonei e nem dei um tempo.

E de todas as coisas que já passaram pela minha vida,

a escrita foi a única que também não me abandonou.


Ao longo desses 30 anos, alguns romances ficaram pelo caminho. Alguns serviram para eu entender o que eu não queria escrever. Outros me mostraram o que eu realmente quero que leiam de mim. Nunca pensei que mudar de uma história para outra seria tão desafiador. Mas quantas vezes já mudamos a história da nossa própria vida? Quantas vezes tivemos que apagar planos porque tudo mudou e nada mais do ontem existe no hoje?


Apesar disso, me sinto presa ainda ao que vinha escrevendo desde março. Ter que mudar completamente o tom é difícil. Deveria ser fácil sair do gore para o drama. Encontrar palavras para descrever sentimentos me parece mais difícil do que encontrar palavras para descrever feridas. Porém, sempre escrevi mais sobre o que me quebra e menos sobre o que me fortalece. Escrevi pouco sobre o amor e mais sobre a sua dor. Escrevi pouco sobre quem me faz feliz. Há poucos registros e muitas lembranças, diferente dos meus novos personagens. No romance anterior, o personagem não tinha memória. Agora escrevo um livro em que o problema é memória cheia.


A última vez que peguei nessa narrativa foi em 2022. Por muitas vezes penso que a dissertação esgotou minha capacidade de criar com palavras, mas quando percebo que me pego escrevendo, como agora, entendo que o problema não é não ter palavras, é se as palavras estarão boas o suficiente.


Escrever livremente é muito gostoso.

É tão gostoso quanto manter as mãos ocupadas.


Escrever somente o que vem à cabeça, sem se preocupar se vai fazer sentido, é como amar e ser amado. Você se sente livre para dizer o que quiser, na hora que quiser, e ser você mesmo. No fim, eu sempre preciso escrever para encontrar o que preciso escrever.


Não quero que nenhum dos meus romances, que ficaram pelo caminho, sejam como a peça de crochê inacabada no pequeno lixão que se forma aos domingos no terreno da minha rua. Eu estaria jogando uma parte de mim no lixo.


Depois da era dos ciborgues, gostaria que viesse a das bruxas. Mas, por enquanto, vamos focar em escrever um casal de coroas vivendo no caos do Uzomiverso.


Por último, quero compartilhar um pouco do que andei consumindo nas últimas semanas.

Se você me acompanha no Instagram, deve ter percebido que estou um pouco afastada. Fiz uma pequena cirurgia e acabei não conseguindo produzir conteúdo gravado, mas ficar em casa em repouso me permitiu consumir e escrever bastante. Aqui em casa, fizemos uma maratona Crepúsculo pela primeira vez em sete anos juntos, e, nossa, o Edward é um cara bem tóxico. Eu estava torcendo para a Bella ficar com o Jacob, mas em certo momento ele também endoida, né? Só tem homem doido nessa saga. Ainda assim, foi muito divertido. Deveríamos ter feito um react e postado, porque foram muitos comentários. Também assistimos Clube da Lutae Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Li o livro Alien(do O Oitavo Passageiro), publicado pela editora Aleph, e alguns contos de Sangue de Cabra, da Mylena Queiroz..ainda estou sem fôlego.

té mais.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Carta aos entendimentos ou inquietações.

Pra nossa relação ser não monogâmica basta começar a beijar outras pessoas? A forma como estamos caminhando juntos é saudável, estranha aos olhos dos outros casais e menos romântica a cada dia. Se a n

 
 
 
Sem datas para voltar.

Acho que em dezembro eu volto para você, não no dia 31, como daquela primeira vez. Talvez em janeiro seja mais adequado, quando eu puder sair de férias do que carrego nas costas, a mesma que você quer

 
 
 

Comentários


© 2026 por No Corre Produção

bottom of page