Sem datas para voltar.
- Kinaya Conteúdos
- há 4 dias
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Acho que em dezembro eu volto para você, não no dia 31, como daquela primeira vez. Talvez em janeiro seja mais adequado, quando eu puder sair de férias do que carrego nas costas, a mesma que você quer encarar.
Quero te contar uma coisa engraçada, porque essa é minha linguagem do amor, e aliviar o seu dia, para que à noite você me alivie também. Quero te levar para passear na beira do mar, sentir a maré como um lençol cobrindo nossos pés, subindo e descendo pelo meu corpo, como se quisesse me levar e me afogar.
Se eu sentir areia em meus lábios, estarei envolta em teus defeitos e vulnerável aos teus desejos. Estarei, em janeiro, novamente, dia 1 de 4.748 que prometi não ir embora.
Estará você me encarando enquanto lacrimejo ou me engasgo, soluçando? Estarei eu sorrindo enquanto me afasto, mais uma vez, para viver o que ninguém antes me permitiu?
Não quero mais pensar sobre os motivos que fazem uma maré ir e vir. Eu me concentro em te acompanhar e anseio pela próxima vez. Anseio pela sua volta ou minha ida, anseio por passos apressados até chegar ao quarto, anseio pelas marcas que não foram deixadas ao longo desses anos e pelas feridas que você deixou eu curar.
Você não me prende e nunca poderia, mas meus joelhos em suas costelas não podem dizer o mesmo de você. E eu te aperto como um alicate para sentir tudo que você tem a me oferecer, ou o que você pode. Pois existe uma diferença muito grande entre o que podemos fazer e o que queremos fazer, e estou tentando não frustrar meus sentimentos e não assistir, mais uma vez, ao mesmo episódio antes de dormir sozinha em casa, depois de comer uma pizza e beber duas cervejas.
Talvez isso tenha ficado apressado, mas é assim mesmo, o ritmo das marés sempre muda, mas todas as ondas continuam belas.
Eu vou voltar à praia, porque eu queria te levar à noite para sentir o mar. Uma vez entrei e estava quente, acho que você iria gostar também.
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